Olá sapiens,
Diante da recente tragédia climática que assola o Rio Grande do Sul, é essencial que estejamos atentos não apenas aos impactos imediatos das enchentes, mas também às possíveis consequências para a saúde pública. Como presidente da Regional Alagoas da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, gostaria de abordar algumas questões importantes relacionadas às doenças que podem surgir em decorrência desses eventos extremos e oferecer algumas dicas simples de prevenção.
As enchentes não apenas devastam comunidades e provocam danos materiais, mas também aumentam o risco de várias doenças infecciosas e problemas de saúde. Podemos recordar os trágicos eventos de enchentes ocorridos em Alagoas e Pernambuco em 2010, que deixaram marcas profundas em nossa região e nos alertaram para os perigos das enchentes não apenas em termos de segurança, mas também de saúde pública.
As enchentes podem aumentar significativamente o risco de várias doenças devido à contaminação da água, ao acúmulo de resíduos e ao deslocamento de pessoas para abrigos temporários. Algumas das doenças mais comuns associadas a enchentes incluem:
Doenças transmitidas pela água: A água contaminada por esgoto pode levar a doenças como cólera, febre tifoide, hepatite A, gastroenterite viral e bacteriana, além de infecções por parasitas como giardíase e amebíase.
Doenças de pele: O contato prolongado com água contaminada pode aumentar o risco de infecções na pele, incluindo dermatite, micose e infecções bacterianas.
Doenças respiratórias: O ambiente úmido e mofado após as enchentes pode contribuir para o crescimento de mofo e fungos, aumentando o risco de doenças respiratórias, como asma, bronquite, sinusite e pneumonia.
Doenças transmitidas por vetores: O aumento de água parada após as enchentes pode levar a um aumento na população de mosquitos e outros insetos transmissores de doenças, como dengue, zika, chikungunya e malária.
Lesões traumáticas: As enchentes podem causar lesões físicas, como cortes, contusões e fraturas, tanto durante o evento quanto durante atividades de resgate e limpeza pós-desastre.
Uma das principais preocupações é a leptospirose, uma doença bacteriana transmitida pela água contaminada, que pode causar febre, dores musculares e complicações graves se não tratada adequadamente. Além disso, outras doenças transmitidas pela água, como hepatite A, gastroenterite e infecções bacterianas, representam um risco significativo durante e após as enchentes.
Para prevenir essas doenças, é fundamental seguir algumas medidas simples, como:
Evite o contato direto com águas contaminadas e evite nadar ou brincar em áreas inundadas.
Use equipamentos de proteção adequados, como botas e luvas, ao lidar com água ou lama contaminada.
Lave bem as mãos com água e sabão após qualquer contato com águas de enchentes ou lama.
Mantenha a higiene pessoal e a limpeza de alimentos e utensílios de cozinha.
Evite o consumo de alimentos ou água que possam ter sido contaminados durante as enchentes.
Procure assistência médica imediata se apresentar sintomas como febre, dores musculares ou problemas respiratórios após o contato com águas de enchentes.
Neste momento difícil, é importante que todos estejamos unidos e atentos à saúde e segurança de nossa comunidade. Vamos cuidar uns dos outros e seguir essas orientações para prevenir doenças e promover o bem-estar de todos.
Cuidem-se.
Dr. Luiz Guilherme Camargo de Almeida
Clínico Geral
Presidente da Regional Alagoas da Sociedade Brasileira de Clínica Médica
foto: @orlandocostaportfolio
Dr. Luiz Guilherme Almeida